Ubá decreta estado de emergência para manter obras após chuvas históricas de fevereiro
24/08/2026
(Foto: Reprodução) Ubá entra em estado de emergência seis meses após tragédia
Seis meses após a tempestade histórica que atingiu Ubá, na Zona da Mata mineira, a prefeitura decretou situação de emergência nesta segunda-feira (24).
A nova medida foi adotada porque o prazo do decreto de calamidade pública chegou ao fim. O documento original foi assinado em fevereiro, logo após o desastre. A enchente da noite de 23 de fevereiro deixou oito mortos e um rastro de destruição na cidade.
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O estado de emergência garante que o município continue a receber recursos federais e estaduais. O dinheiro será usado para concluir as obras de reconstrução.
"A mudança ocorre porque hoje nós vivemos os efeitos da tragédia, e não um novo desastre. O município recuperou parte da capacidade de gerir a crise. Por isso, não há mais necessidade de manter a calamidade pública. Na situação de emergência, ainda podemos pedir apoio estadual e federal", explicou o coordenador da Defesa Civil de Ubá, Anderson Almeida.
Obras de reconstrução
Até agosto, Ubá tinha 16 obras de reconstrução em andamento. A principal delas é no Calçadão Deputado Ibrahim Jacob (Rua São José).
O projeto inclui a troca do piso antigo e o aumento da canaleta central para melhorar o escoamento da água da chuva.
Para pagar as intervenções, a prefeitura pediu R$ 60 milhões ao governo federal. Desse valor, R$ 45 milhões foram liberados. A administração municipal aguarda a liberação dos R$ 15 milhões restantes.
O gerente de relações institucionais de Ubá, Renato de Castro, afirmou que os projetos foram enviados à Defesa Civil logo após o desastre.
"Já temos o Calçadão em fase de execução. Fizemos um trabalho na rede de água e esgoto que não era feito há anos. Agora estamos no calçamento, com previsão de término para setembro", explicou.
A cidade também realiza a instalação de novos guarda-corpos, construção de muros de gabião para conter encostas e novo calçamento na avenida Beira-Rio.
O planejamento para a reconstrução das pontes destruídas pela enxurrada também teve atualizações:
Ponte da Fazendinha: O projeto executivo já foi enviado ao governo e o recurso financeiro foi disponibilizado para o município dar início ao processo de licitação da obra.
Ponte da Avenida Cristiano Roças (Ponte Major Siqueira): O projeto de engenharia está sendo finalizado esta semana. A expectativa da administração municipal é assinar o convênio de repasse de verbas nos próximos dias para dar início aos trabalhos.
Seis meses após enchente, Calçadão de Ubá ainda está em obras
Volume do Rio Ubá subiu quase 8 metros
A chuva histórica ocorreu entre os dias 23 e 24 de fevereiro. Conforme dados da Defesa Civil, foram cerca de 170 milímetros em menos de 4 horas.
O Rio Ubá atingiu quase 8 metros e causou alagamentos e inundações em dezenas de bairros e no comércio local.
Além do Calçadão Deputado Ibrahim Jacob, a água também causou estragos em outros pontos da cidade, com o desabamento de três imóveis na avenida Cristiano Roças e de uma residência na rua da Harmonia.
O temporal provocou ainda a destruição total de três pontes (Ponte Major Siqueira, Ponte da Rua dos Viajantes e a Ponte da Rua Nossa Senhora Aparecida)
Oito pessoas foram levadas pela correnteza e morreram. O corpo de Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, uma das vítimas da tragédia, só foi localizado 22 dias depois.
Uma das imagens que marcou a tragédia foi o resgate de Edna Almeida, namorada de Luciano, que ficou agarrada a um poste durante três horas, em meio à enxurrada. Ela estava em casa com ele e o filho. A força da água foi tanta que o rio que passa atrás do imóvel rompeu o terreno e entrou na residência.
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